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25 de fevereiro de 2016

Resenha á Gringa: Deliver, de Pam Godwin



Deliver (Deliver #1)
Autora: Pam Godwin
Gênero: Romance Erótico, BDSM, Suspense
Classificação indicativa: +18 (Contém gráfico sexual, violência e abuso psicológico)
Páginas: 344 páginas
Sinopse: Seu nome era Joshua Carter. Agora é qualquer um que ela quiser que seja. Ela é a entregadora. Ela atrai homens jovens e os entrega para serem vendidos. Ela entrega os golpes que garantem a obediência deles. Ela entrega o treinamento sexual que determina o valor de compra de cada um. Enquanto ela entregar, o acordo que protege sua família será mantido. Entregar é só o que ela sabe. A única coisa que ela não consegue entregar é um refém para a escravidão. Até ele. E seu escravo teimoso pensa que ele por entrega-la... a si mesma.

Deliver conta como Joshua Carter, um estudante de Religião que teve toda a sua vida planejada por seus pais graças a uma promessa feita antes dele nascer terminou nas mãos de uma dupla de sequestradores e traficantes de pessoas.
Josh gastou sua juventude com estudos bíblicos e castidade graças aos seus pais, mas está longe de ser tão religioso quanto eles. Atacante do time de futebol americano da faculdade, sua beleza e visibilidade entre os habitantes da sua cidade chama atenção mais do que desejada. Quando Liv Reed coloca os olhos em Joshua, não são apenas os pedidos específicos do novo comprador que a levam a escolher Josh, mas sim, ele representar tudo o que ela não era, tudo o que ela odiava ser. Então Liv usa de sua figura inofensiva e se aproveita da educação do outro, onde ajudar ao próximo está acima de tudo e o atrai para o cativeiro onde ela treinará Josh oito semanas dentro das regras para, enfim, entregá-lo nas mãos de seu comprador e receber a quantia combinada.
Mas o que nenhum dos dois podia imaginar é que de um jovem virgem e espirituoso, nasceria um amante dedicado e disposto a enxergar além da máscara fria de sua dominadora e ajudá-la a eliminar a ameaça que paira sobre si e a tristeza que o trabalho que é obrigada a fazer traz. Ou que por trás da fachada rígida e exigente de Liv, um passado pavoroso batalhasse contra um presente que a obrigava a infligir a mesma dor e desespero que sentia durante anos e que não tinha previsão de acabar.
Aliviando a dor e o anseio um do outro com uma paixão que vai além de qualquer pecado, Liv e Josh estão dispostos a arriscar tudo por esse amor tão torto e a vencer qualquer mal que fique em seus caminhos.

Deliver foi uma leitura muito surpreendente. Eu tinha comprado esse livro a muito tempo e graças ao Desafio Alfabeto Literário, do blog Mundo de Tinta, eu finalmente me sentei para ler achando que se tratava de um livro com BDSM e pouca coisa a mais. Eu nem me lembrava da sinopse e acho que foi isso que guardou muitas das surpresas que me deixaram rezando baixinho a cada página. A Pam Godwin resolveu pegar uma mão cheia de tabus e jogar dentro da vida de um personagem que era obrigado a ser casto, mas que se pudesse, cairia fora da rigidez da vida religiosa. O Joshua é um personagem extremamente cativante por ser tão humilde e enxergar até a pior das situações e as piores pessoas como oportunidade de ser bom e de ajuda. Quando ele cai na situação do sequestro e do treinamento para se tornar uma das "encomendas" que a Liv recebe, sendo obrigado a conhecer o lado sexual que nem em sonho podia querer se aventurar, ele encara tudo como degraus para se aproximar dela, na tentativa de conseguir escapar. 

A Liv é uma das personagens mais fortes e bem construídas que eu já li. Seu passado extremamente sofrido e os anos de abuso e tristeza que se seguiram resultaram em tantas facetas que, em cada situação de perigo e surpresa, a tensão era construída em boa parte era por não saber qual lado dela tomaria as rédeas e reagiria. A autora criou um terror psicológico tão brutal, que em alguns momentos da leitura o meu coração partiu diante do amor entre os dois crescendo já desacreditado no meio de toda aquela sujeira. Cada passo em falso de Liv trazia uma consequência drástica para a vida dos dois e mais uma série de outros fatores todos dependendo do bom comportamento dela, quando tudo o que ela mais queria era se livrar daquilo. 

"Ele representava a pureza, beleza, família, todas as coisas que foram tiradas dela. Ele era uma centelha de bondade no seu maldito mundo de escuridão, uma faísca quente que ela conseguia segurar, mesmo que só por um rápido período de tempo".

Esse livro é também muito sexual, como já dá para imaginar e a submissão do Josh quando ele entra no jogo foi o toque final para o sexy extrapolar os limites permitidos (de uma maneira boa, gente)! Eu nunca tinha lido nada com Dominatrix e foi mega interessante ver normalmente o lado mais forte ser o submetido a comandos... muitas vezes pouco explorado pelos homens (HÁ). 
O romance entre os dois pode ser um pouco difícil para algumas pessoas e pode ser entendido também de maneiras diferentes, já que por causa da realidade de sequestro no enredo, alguns podem acreditar que Joshua se apaixonou pela Liv em uma situação de síndrome de Estocolmo (é o nome normalmente dado a um estado psicológico particular em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo sentimento de amor ou amizade perante o seu agressor). Outros veem claramente que por ele ter sido criado na religião, achou que o seu amor poderia salvá-la, por isso que eles ficaram juntos. 
Na minha visão da coisa toda, eu acho que teve um pouco dos dois citados aí em cima, além disso, a Liv foi a única mulher com quem o Josh teve relações sexuais (não é spoiler, tá?) e talvez isso tenha sido mais um ponto para eles terem ficado juntos, mas é inegável durante a leitura que não foi só a simpatia entre sequestrador/refém que rolou ali. O Josh foi obrigado a abdicar de sua sexualidade quando não queria e de repente, tinha alguém o forçando a conhecê-la. Gente, mas o amor entre os dois foi verídico e daquele tipo que aquece o seu coração, já que a única coisa de bom que eles tinham para seguir em frente a cada dia naquela situação era um ao outro e o sonho de um futuro livre e onde ficassem juntos.
O final foi muito lindo e libertador em todos os sentidos e não cabe mais outro livro com o casal Josh e Liv sem metê-los em mais confusão (o que eles já tiveram o suficiente para uma encarnação), mas mesmo assim eu fiquei muito curiosa sobre como eles construiriam uma vida juntos tendo se apaixonado em circunstâncias tão limitadas e de repente estando livre para aprenderem a viver novamente em liberdade.

"- Eu estou aqui sem cordas ou correntes, Liv, amarrado a você por apenas minha própria vontade." O sangue dele batia com a ferocidade de suas palavras. "Eu não estarei livre até você também estar".

Deliver é uma leitura que te deixa em conflito o tempo todo. Causa incomodo. Tumulto naquela parte nossa que diz "cara, tá errado isso aí", mas posso dizer que a leitura vai muito além dos temas polêmicos e das situações que, infelizmente, continuam a acontecer fora das páginas. Eu simplesmente amo leituras que me desafiam e que mostram como o amor é capaz de crescer no solo mais infértil do mundo. E a Pam fez isso acontecer em meio a muita dor, remorso, sensualidade e redenção sem deixar aquele gostinho amargo na boca do leitor. Valeu cada minuto e ganhou mais uma leitora fanática!

Tem playlist do livro aqui e você pode seguir o perfil do Romantic Lit no Spotify! Em breve eu criarei playlists de outros títulos também!


 

 O segundo livro da série Deliver se chama Vanquish e conta a estória de Van Quiso, parceiro de crime da Liv (não citei ele na resenha porque seria difícil não dar um spoilão), que também é um personagem URGHHH... conflitante.

Avaliação: ★★★★

Beijos!
Aline Azevedo

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